Qual é o voo da sua empresa?

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Nestes mais de 20 anos como empresário, pude, como fornecedor e como cliente, conhecer uma série de empresas e notar seus valores, missões, forma de administração e postura de relacionamento com o mercado. Baseado nestas observações, agrupei as empresas com características semelhantes ao estilo de voo de três aves: as poedeiras, as de rapina e as migratórias.

O primeiro grupo que identifiquei são as empresas jovens, recém-criadas, muito comuns no nosso Brasil emergente. Frequentemente, são constituídas a partir de um empreendedor determinado, obstinado, com uma ideia de negócio plenamente viável.

Todo novo empreendedor é otimista, mas, comumente, também é desinformado, pois desconhece a legislação tributária, trabalhista e civil e, por isto mesmo, não afere adequadamente os custos aos produtos que comercializa e nem sabe calcular corretamente o preço de venda.

Não os culpo pela falha, uma vez que o confuso, remendado e em constante mutação sistema tributário brasileiro requer muita dedicação para ficar dentro dos limites legais, dedicação esta que deveria estar voltada à atividade principal da empresa.

Justamente por estas características, segundo as estatísticas do Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, 95% das empresas jovens fecham as portas em menos de cinco anos. O voo destas empresas é muito similar ao das galinhas, que até alçam voo, mas rapidamente tombam por falta de sustentação.

O segundo grupo de empresas (muito menores em número) são as individuais, que têm um voo muito parecido com aves de rapina. Elas têm como característica a procura por oportunidades de altos retornos em que apenas os negócios que prometerem uma gorda margem de lucro são considerados como interessantes. Pode parecer uma excelente ideia vender sempre caro, mas a realidade é bem diferente num mercado altamente competitivo, no qual viver apenas de boas oportunidades é muito difícil. Os administradores destas empresas também não sabem calcular corretamente despesas e custos e, frequentemente, fazem a conta simplista conhecida como “compro por R$ 1,00 e vendo por R$ 3,00”. Este tipo de empresa, que pode ser caracterizada como a que alça voo de águia, não fideliza cliente, o que lhe torna a vida ainda mais difícil. Dura mais que a galinha, porém não passa de uma geração.

O terceiro grupo é composto pelas empresas de pequeno, médio e grande porte que passam por gerações e foram feitas para durar. O prérequisito para se enquadrar neste grupo é ter foco no seu negócio, conhecer muito bem as despesas e custos, as legislações, engenharia, o ambiente, ter missão, visão, valores etc.

São empresas com estrutura, organização, disciplina, prontas para administrar o negócio como um todo. Sua forma de administração me lembra o voo das aves migratórias, como os gansos. Estas aves são globalizadas, intercontinentais e possuem toda uma organização necessária a voos altos e de longa duração. Estas empresas não vendem barato, nem caro, pois procuram a margem justa para remunerar seus investidores e colaboradores

Não desejo desmerecer uma ou outra forma de administrar o voo de uma empresa, mas entendo que o desejo predominante é ter um negócio equilibrado e duradouro.

As últimas iniciativas da ANAPRE com a promoção dos cursos Formação de Preços Competitivos para Pisos de Concreto e Custos para Pisos e Revestimentos – Teoria e Prática e a constituição de comitês técnicos de especificação de concreto, concreto reforçado com fibras e qualidade, com a proposta de criar um Selo de Qualidade para o setor, focam justamente no seu compromisso de esclarecer e contribuir com as empresas que desejam mudar seu estilo de voo.

Alexis Joseph Steverlynck Fonteyne
Vice-presidente da ANAPRE
Diretor Executivo do Grupo Solepoxy